mulher abaixada em salar infinito

Norte Argentino: roteiro de uma viagem incrível de 5 dias em Salta e Jujuy

Conhecemos o Norte Argentino (depois de tanto falar aqui sobre Patagônia no Sul do país), e posso adiantar que é claro valeu muito a pena – e como não seria em uma região com salares, montanhas coloridas, culturas e até turismo astronômico?

Sendo assim, neste post conto toda nossa experiência nesta região que compreende as províncias de Salta e Jujuy, porém adianto que nossa pequena aventureira Alice não esteve comigo e meu esposo desta vez – mas não ia deixar de compartilhar aqui esta experiência, mesmo com o blog que leva o nome dela!

mulher abaixada em salar infinito
A magia do norte argentino é incrível!

Mas eu e meu marido já queriamos fazer uma viagem sozinhos para comemorar os 10 anos de casados e como o hotel que queriamos ficar no salar só aceita crianças maiores de 12 anos resolvemos optar por essa viagem sozinhos – porque todos os casais merecem suas escapadas, não é?

Porém, claro que aqui acredito e sempre incentivo as famílias realizarem suas viagens, e é possível sim fazer com planejamento uma viagem que inclua crianças.

Fizemos então um roteiro de 5 dias deliciosos com gastronomia, experiências e natureza de tirar o fôlego que compartilho agora, mas antes, algumas dicas:

Como chegar

Pensando em quem vem do Brasil, Salta tem voos direto com Guarulhos pela Aerolineas Argentina semanalmente, que é a melhor opção para boa parte dos brasileiros. Porém, o maior número dos voos diretos saem de Buenos Aires, mas da capital você vai acabar “descendo e depois subindo”, e isso faz com que a viagem tem um maior número de horas, por isso, se for possível, sair de Guarulhos é melhor.

Prédio histórico com arcos e torre ao fundo
Cabildo de Salta – Lindíssimo prédio histórico do museu de história do norte.

Claro que isso também não impede de montar um roteiro personalizado na Argentina, que é meu trabaho e especialidade – melhorando a logística e conhecendo outros lugares que valem a parada também.

Mendoza, Córdoba e Neuquén são destinos que também possuem voos diretos, e até Puerto Iguazu é uma opção (com menores frequências), e você poderia cruzar a fronteira a partir de Foz do Iguaçu e pegar o voo dali para o Norte Argentino.

Onde ficar, como se locomover e melhor época

A viagem ao Norte Argentino tem muito vai e vem, e é comum os viajantes já encontrarem soluções práticas para se hospedar e se locomover na região.

Vou indicar ao longo do roteiro alguns locais que nos hospedamos e foram bacanas, mas adianto que considere dividir hospedagens de acordo com os atrativos que desejar conhecer, e contratar transporte que faça as locomoções. Alugar carro ou realizar as idas e vindas com ônibus também são opções.

Por fim, o período entre março e maio – no outono – é a época mais recomendada para visitar. É possível sim fazer em outros meses, mas tanto frio como calor demais podem ser incômodos, além de chuvas (entre dezembro e janeiro), por isso estes são os meses mais indicados.

Quem visitar na época de chuva a região do Salar o verá espelhado, mas nos outros meses secos o verá com os polígonos que fazem formas geométricas.

casal com taça de vinho sob arvores em bancos de pedra
Uma das paradinhas da viagem. Fomos em março, mas não deixamos de usar ao menos um casaquinho em vários momentos.

Não esqueça que são áreas de montanhas com clima ameno ou mais frio, e por isso uma mala de inverno inteligente sempre cai bem, começando pelas térmicas para usar por baixo. A Babydoo é uma ótima loja parceira para roupas de inverno, e você ganha um desconto com o cupom MARIQUEIROZ.

Roteiro no Norte Argentino de 4 dias

Dia 01: Como moramos na Argentina, saímos de nossa cidade Neuquén com voo direto para Salta. Chegamos lá a noite e fomos jantar no Don Salvador, um restaurante excelente e com opções de vinhos salteños, premiado com um certificado de qualidade internacional.

Neste dia foi mais um reconhecimento local e fizemos nosso check-in para uma noite no Hotel Alejandro I que é uma opção central bem localizada próxima a Catedral, com quartos clean e modernos, piscina e academia e café da manhã completo. Confortável, nos atendeu bem para o descanso do pós viagem.

Para conhecer o centro e região histórica (fizemos no final da viagem), os hotéis Amerian Salta, Designer Suites Salta ou Solar de la Plaza Hotel também são boas opções que estão mais próximas dos atrativos desta região.

feira de artesanato de rua antiga
Feirinha de artesanato nas ruas de Purmanarca com o Cierro de Site Colores ao fundo.

Dias 02 e 03: Fizemos check-out e saímos de Salta rumo a Purmamarca, já na provincia de Jujuy. A cidade já está dentro da conhecida Quebrada de Humahuaca, um povoado da cidade que tem uma praça com uma feira de artesanatos e comidas locais como as tortillas, empanadas e Tamales (é parecido com o cuscus recheado que comemos no nordeste brasileiro).

A atração principal da cidade é o Cerro Siete Colores, de onde já é possível ter esse gostinho de vê-lo bem ali deste centrinho, e tem mais detalhes de Purmamarca neste link.

Montanha com diversos tons e cores
O Cerro Siete Colores.

Então chegamos no povoado e logo fomos conhecer o mirante do Cerro Siete Colores. O mirante que tem na cidade para o Cerro é pago e custa 500 pesos argentinos para estrageiros (valor de fevereiro de 2024), mas claro que valeu admirar as diversas tonalidades alaranjadas até tons mais claros deste belíssimo monumento natural.

Depois voltamos e passamos para conhecer mais do centrinho da cidade, e aproveitamos para fazer algumas compras e comer algumas delicías locais.

Em Purmamarca compramos as famosas balinhas de coca, porque depois nossa viagem sera só subida.

Comidas típicas em pratos de barro
Comidinhas típicas de Purmanarca.

Adianto que, na estrada, chegamos ao ponto com maior altitude da viagem que era de 4.170m acima do nivel do mar, o que já causa em muitas pessoas os sintomas que a altitude pode provocar como náuseas, dor de cabeça, falta de ar, cansaço, entre outros. Não é certeza que você terá esse problema, mas na dúvida é bom ter as balinhas para garantir um alívio.

Após essa voltinha, partimos para Salinas Grandes, até o ponto de encontro do Hotel Pristine Salinas Grandes Luxury Camp que justamente fica dentro de Salinas Grandes, e onde passaríamos esta e a noite seguinte, e era uma das altas expectativas que tínhamos nesta viagem ao Norte Argentino.

O Pristine Salinas Grandes basicamente é um camp de luxo que inclui no valor da hospedagem pensão completa e experiências envolvendo o salar e a comunidade local.

chalés tipo iglu em meio a salinas
O “chalé” do Pristine Salinas Grandes Luxury Camp, uma experiência única.

Os tipos de experiências variam conforme a quantidade de noites que você se hospeda no Camp, mas independente de quais sejam feitas, eles possuem muito respeito pela natureza, e por isso, antes de iniciarmos a experiência na comunidade, participamos junto com o guia de um ritual de oferenda a Pachamama, pedindo proteção e permissão para entrar na natureza.

Nós que ficamos duas noites participamos de algumas atividades tanto de dia quanto a noite, e também diariamente finalizávamos com merenda da tarde e jantar no hotel.

Nascer do sol em salina com piscina
O pôr do sol em meio a salina, e ainda com uma jacuzzi para aproveitar, já foi único!

A parte gastronômica já era uma verdadeira experiência. Estávamos em meio as Salinas provando vinhos do norte argentino, e comemos os mais variados cardápios, incluindo até a famosa carne de lhama.

Mas também pudemos desfrutar das seguintes experiências ao estar no Pristina Camp: los piletones (tipo de piscinas criadas para extração de sal), observação de estrelas a noite, e ainda pudemos conhecer uma comunidade local chamada Alfarcito e como eles vivem, com uma pequena igreja e uma paisagem de muitas pedras. No término nos prepararam um belo piquenique as margens do lago.

mesa com vinhos e frios com vista de área desértica
Piquenique em Alfarcito.

Mesmo sendo apenas dois dias no Camp, posso dizer que foi uma experiencia única. Provamos sabores diferentes e vivemos uma experiência totalmente imersiva na natureza, com guias locais e conforto, e vistas maravilhosas.

Ah claro, e como muitas pessoas que visitam salares, nós tiramos muitas fotos bacanas na imensidão branca, inclusive aquelas divertidas com perspectivas bacanas, o que dá pra fazer da porta de sua acomodação.

foto com ilusão de ótica de mulher imensa com pequeno homem au fundo
Uma gigante e um pequeno? Sim as fotos são muito legais nos salares!


Dia 04: Fizemos nosso check-out e retornamos para Salta, mas antes passamos na cidade Tilcara, um pequeno desvio de Purmanarca de 30 minutinhos que quase não sai do caminho, e fomos almoçar na Vinicola Yacoraite.

A vinícola tem um ambiente lindo, vinhos deliciosos, e pratos deliciosos também. Nós pegamos um menu de 3 passos com harmonização dos vinhos da bodega. Estava tudo muito saboroso.

prato com carne com taças de vinho e paisagem de montanha ao fundo
Almoço maravilhoso em Tilcara.

E nosso almoço foi com a vista para o Cerro Yacoraite, que dá nome a bodega, e é linda. No site dos Viñedos Yacoraite é possível conhecer um pouco mais da proposta.

Por fim seguimos viagem e retornamos para Salta, e jantamos no próprio hotel, pois estávamos bem cansados do trajeto – aliás, a altitude nos deixou mais cansados e considere ir com calma também.

Mudamos de estadia na volta e agora nos hospedamos no Hotel Sheraton Salta, uma excelente opção também, mas está um pouco afastada do centro histórico (ou seja, em uma viagem sob medida para você, com certeza vou ajustar para você se hospedar no centro para conhecê-lo).

Fachada de catedral antiga
Catedral de Salta

Dia 05: Aproveitamos então para conhecer a região central de Salta, e há várias atrações culturais e locais bacanas. As que mais gostei foram a Praça 9 de julho, o Museu arqueologico de alta montanha e o Museum de história do norte.

Ali nós almoçamos no tradicional Doña Salta, que é um restaurante com deliciosas empanadas saltenhas e pratos bem locais como a cazuela de coelho, locro e outros. Não fazem reservas.

Após o almoço a ideia era ainda aproveitar parque General San Martin que é bem bonito e o teleférico San Bernardo. Infelizmente, havia previsão de tempestade justamente no dia que iríamos subir, e por isso o teleférico interrompeu o seu funcionamento e não pudemos subir.

Mas fica a dica para vocês que lá de cima tem uma vista linda da cidade e assim encerramos nossa viagem pelo norte argentino apenas com o último pernoite, já que retornamos bem cedo no dia seguinte.

Daria pra fazer um roteiro diferente? Com certeza, visto que na região há muitas outras opções de locais para conhecer e restaurantes, inclusive mais vinícolas.

mulher em frente a domo em salar
Ainda do quarto do Camp.

O nosso foco nessa viagem era Salinas Grandes e por isso não fizemos a região Sul de Salta, que é onde estão várias atrações naturais da província e também a cidade de Cafayate que possui uma rota vinicola muito interessante.

Mesmo assim, foi uma grande experiência, e por isso vale montar esta viagem com o seu estilo, porque ela pode ser feita de muitas maneiras, inclusive com mais experiências gastronômicas e atrativos naturais belíssimos, e seja como for o importante é ir!

Bora para Salta e Jujuy? E pode contar comigo para fazer o roteiro do seu jeitinho que prometo que vai valer a pena!